Vidas sem fronteiras: José Carlos

Milena Spremberg
28.01.20
Leitura de 5 minutos

José Carlos é mais um brasileiro trabalhador fazendo de tudo para oferecer melhores oportunidades à sua família. Hoje, sua esposa e suas duas filhas vivem em Portugal, mas ele continua trabalhando no Brasil até se aposentar. Esperançoso, ele compartilhou conosco um pouco sobre porque tomou a decisão de viver distante da família e seus planos para o futuro.


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Quando eu tinha 5 anos a minha família saiu lá do nordeste, da Bahia, em busca de condições melhores. Saímos da roça e chegamos em São Paulo. Hoje tenho 44, ou seja, faz 39 anos que moro aqui em Osasco. A gente morava de aluguel numa casinha simples, mas depois de um tempo meus pais não conseguiram mais pagar o aluguel em Quitaúna e tivemos que ir para a favela, no Jd Rochdale. Ali eu cresci, estudei, tive os meus melhores amigos. Mas também vi coisas horríveis acontecerem porque vários optaram pelo lado do crime ou da droga. Eu procurei no mínimo estudar, mesmo que em escola pública. Aquilo que eu tinha eu aproveitei. Prestei um concurso e acabei passando com 23 anos e assim me tornei servidor na área da segurança pública. Mas nunca me desfiz das pessoas - até hoje tenho os meus amigos lá no mesmo lugar - os que ainda estão lá.

Eu me casei com 27 anos com a minha esposa querida, a Flávia. Começamos a namorar novos, mas esperei ela fazer 21 para a gente poder se casar. Hoje temos 17 anos de casados. Fruto disso, o nosso primeiro amor nasceu em 2004, a Nayara. A Laryssa, o nosso segundo amor, nasceu em 2006. Estamos no Brasil e na minha profissão não se ganha tão bem. Mas sempre fizemos questão de dar uma boa educação para elas sabendo, infelizmente, da precariedade da educação pública do nosso país.

Estamos num país que a gente ama, que tem um clima maravilhoso e belezas naturais, mas que não nos dá oportunidades. Um lugar onde não conseguimos aprender inglês na escola é deficitário para a educação de qualquer pessoa. E pensando assim, mesmo com muito sacrifício, paguei escola particular para as minhas filhas desde pequenas. Pode não ter sido a melhor, mas também não deixamos as nossas filhas estudarem em escola pública por querer que elas tenham melhores oportunidades.

Quando as minhas filhas nasceram, a gente estava vendo as dificuldades do nosso país e por conta da minha profissão eu sempre tive medo do crime e da insegurança. Quando a minha esposa estava grávida em 2006 aconteceram ataques à funcionários públicos. Eu lembro que não sabia de nada, não sabia do que estava acontecendo. Todo mundo foi pego de surpresa. A caminho do trabalho passou uma viatura e o policial falou “Meu, você é louco?”. Fiquei sem entender e ele completou, “É, cara, está tendo vários ataques”. É um fato que me deixa muito triste, pois ela quase perdeu a bebê. Foi terrível, nunca se tinha visto algo assim.

Desde então, eu vinha pensando em tirar a minha esposa e as minhas filhas do país. Aí o tempo foi passando e amadureci a ideia. Decidimos que elas iam se mudar para Portugal, e que ficariam lá até eu me aposentar, daqui a 8 anos. Uma vez aposentado, eu posso ir pra lá pra ficar com elas.

A gente sempre ouve que o brasileiro tem muita esperança, que a esperança é a última que morre. Brasileiro não desiste nunca. Mas existem momentos em que você tem que tomar decisões difíceis, e foi o que eu fiz. Eu não tinha mais esperança que a realidade aqui iria melhorar logo. Daqui a 8 anos as minhas filhas vão estar com 22 e 20 anos, vão ter estudado lá, e vão ter vivido várias experiências e novas culturas. Eu não tinha o direito de segurar elas aqui no Brasil comigo por todo esse tempo onde elas perderiam tudo que estão adquirindo lá. Eu vejo esses 8 anos como uma conquista.

É doloroso, muito doloroso. A melhor forma de passar rápido pra mim é trabalhar muito. O que eu faço no dia de folga? Eu vendo a minha folga e acabo trabalhando os 30 dias. A minha família não está aqui então porque eu vou ficar aqui na minha casa? Também decidi fazer tudo possível para tentar ajudar o meu país e a segurança do meu país. Comecei a reivindicar as coisas na minha cidade. Como cidadão, eu tenho direito a reivindicar e cobrar melhor saúde, melhor educação. Hoje sou uma figura reconhecida aqui na cidade. Vendo as coisas que estão erradas, a gente tem de tentar fazer alguma coisa. Não podemos somente reclamar.

A gente não quer nada demais, sabe? Me encanta a forma que hoje eu vejo as minhas filhas felizes, contentes, com liberdade, com condição de ter uma perspectiva de futuro. Vale todo o sofrimento. É claro que eu estou aqui morrendo de saudades. E estou sozinho e minha esposa está com as meninas. Mas eu admiro ela ainda mais por estar passando por tudo isso sozinha. Eu contei tudo isso pra vocês mas no fim a minha esposa está sendo ainda mais forte que eu. Ela nunca teve que tomar tantas decisões sozinha. Todas as decisões do dia dia. Ela é incrivelmente forte.

Quando eu falo da TransferWise, realmente falo com muita gratidão. E olha a facilidade desse aplicativo. Eu sou apaixonado pelo aplicativo! Primeiro eu pagaria um preço absurdo se usasse uma casa de câmbio. Eu gastaria muito mais. E quando o seu bem mais precioso, a sua família, está longe e você é quem sustenta, você precisa que o dinheiro chegue, e rápido.

Eu não me lembro como fiquei sabendo da TransferWise, mas estudei muito e vi muitos vídeos no YouTube. Aí eu baixei o aplicativo e fica aquela dúvida, aquele medo. Aí fui lá, fiz o cadastro. Quando fiz a primeira transferência o dinheiro chegou - e chegou rápido. Eu fiz a transferência umas 10h da manhã horário aqui do Brasil e 16h já estava na conta da minha esposa. E eu aí tipo, ‘Ah! Poxa, não acredito! Que legal!’ Então a TransferWise está cuidando da minha família. Está ajudando a minha família. Como não posso ser grato?


Viver num mundo sem fronteiras é um sonho para muitos e privilégio para poucos outros. José é mais um sonhador e exemplo da liberdade num mundo sem fronteiras e orgulhosamente cliente TransferWise.


Por Milena Spremberg e Igor Gasparello, exclusivamente para TransferWise. Fotografia de Stephanie Stoddard Cortés.

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