Vidas sem fronteiras: Gretchen

Milena Spremberg
01.11.19
Leitura de 7 minutos

No Brasil ela sempre será a Gretchen, mas a vida da rainha da internet na Europa, onde ela mora há 10 anos, é bastante diferente. Após um longo dia de gravação, Gretchen aceitou o seu primeiro café: “Quero terminar o meu trabalho antes de relaxar”. Conversamos com ela sobre a sua vida no exterior, aprendizados e arrependimentos e o que ela pensa sobre a internet.


TransferWise é uma nova e inteligente maneira de enviar dinheiro para o exterior, por uma fração do custo de um banco ou casa de câmbio. Na série de conteúdo Vidas Sem Fronteiras, nossos clientes nos contam histórias de como suas vidas transcendem fronteiras, e compartilham dificuldades, alegrias e aprendizados de quem se muda ou trabalha ao redor do mundo.


Estou há seis anos casada com o meu marido e já são 11 anos fora do Brasil. Primeiro, Estados Unidos, depois Portugal e hoje estou na França. Eu gosto muito da minha vida no exterior - não sinto falta de praticamente nada daqui do Brasil. Eu estou sempre com a minha família e meus filhos menores moram comigo lá. Eu já me adaptei tanto com a vida na Europa que quando eu venho pra cá eu sinto falta do meu dia a dia.

O Brasil onde eu cresci não existe mais. Pelo contrário, ele perdeu as coisas simples que na Europa ainda existem. As crianças lá brincam de bola e esconde-esconde, elas ainda têm as brincadeiras que eu vivi. Na Europa eu posso dar a infância que eu tive aos meus filhos. Também acho ótimo que os franceses são muito rigorosos com a educação infantil. As crianças não podem levar celular pra escola, nem ter frescura com comida e assim aprendem a comer tudo que está no prato.

Eu sempre vou ser a Gretchen no Brasil, mas fora eu consigo ser a Maria Odete. Eu consigo viver as duas separadamente. Eu sou geminiana. Eu já sou duas.

Na Europa eu não sou ícone - ninguém me conhece. Eu gosto disso. Adoro, prefiro. Minha vida lá é a vida de uma mulher normal. Lá sou uma mulher com filhos, casada, que acorda cedo pra fazer o café da manhã, que lava a roupa, faz comida e leva filho na escola. Eu virei a Gretchen quando eu fiz 18 anos, então eu não saía de casa. Não ia pra festa, pra balada. Mas eu nunca senti falta disso, nunca fui de sair muito. Mas eu perdi a minha juventude inteira trabalhando - eu trabalhava de segunda a segunda.

Hoje, quando estou em casa, eu saio pra jantar, vou pra casa das minhas cunhadas e no final de semana eu tenho pra onde ir. Eu vou pra praia com as meninas. Tenho uma vida que nunca tive no Brasil. Se eu ficar aqui muito tempo eu não posso comer, não posso sair, não posso ir a lugar nenhum. Eu tenho que ficar dentro de casa o tempo todo. O que eu tenho na Europa alivia um pouco essa coisa do assédio, aquela história de tirar foto. O meu tempo na Europa me dá um refresco. Assim eu consigo voltar plena para atender todo mundo. Eu tenho a obrigação de atender as pessoas, porque graças a elas eu estou onde estou. Eu gosto de ser a Gretchen em momentos especiais como quando eu venho fazer uma turnê. Quando eu venho para trabalhar eu venho determinada, não venho para passear, nem para visitar ninguém.

Quando eu fiz o curso de francês na França, na hora de se apresentar todo mundo tinha que dizer o que fazia. Tive que dizer que eu era cantora no Brasil - até pra explicar porque muitas vezes equipes de televisão de canais brasileiros queriam ir lá na escola me filmar estudando. Eu tive que explicar pra eles porque eu tinha esse assédio todo. Eu dizia, “Olha eu sou uma cantora conhecida no Brasil e agora resolvi viver no exterior exatamente por causa do assédio, porque gosto dessa vida aqui”. Mas mesmo assim, todos me chamavam de Maria de Brasil. Eu não era a Gretchen. Na sala de aula tinha gente de Porto Rico, da Espanha, do Cabo Verde. Era uma sala cheia de imigrantes! Então tinha outras Marias. Tinha Maria de vários países e eu era simplesmente mais uma - a Maria do Brasil.


Quando você se muda para o exterior, não adianta querer ser brasileiro. Respeitar a nova cultura, as leis e como se vive no novo país é essencial para quem vai morar fora do Brasil.

O mais difícil de morar fora e o mais importante para mim são a mesma coisa: aprender a língua. Você não pode ficar naquela “ah, eu não consigo aprender”. Eu sei que existe brasileiro que vive 20 anos na França e ainda não aprendeu a falar francês, como tem gente nos Estados Unidos que vive lá faz anos e não aprendeu a falar inglês. Acho isso um absurdo, quase uma falta de respeito. Você não vai conseguir se comunicar, não vai conseguir emprego, nem entender coisas básicas no dia a dia. A partir do momento que você fala o idioma as pessoas te respeitam muito mais. Mesmo se você falar um francês errado, eles vão ficar felizes porque você tá tentando falar a língua deles.

A primeira coisa que eu fiz quando me mudei foi aprender. Eu já tinha curso de francês aqui no Brasil, mas eu realmente aprendi a língua lá. Para mim não foi difícil porque eu adoro estudar, eu adoro línguas. E eu queria muito aprender porque toda a família do meu marido fala francês, então quando eu saía eu ficava extremamente deslocada. Alguém tinha que ficar traduzindo as coisas para mim. É muito chato. Hoje em dia tem tanto curso online, é tão fácil.

A internet obviamente tem um lado bom e outro ruim. No começo, o lado ruim foram os haters, mas depois que eu aprendi a lidar com eles tudo ficou tranquilo, eu sou uma pessoa muito segura de mim. Se alguém disser “olha você tá gorda, seu cabelo é isso, você tá velha, a sua boca é assim” não vai me abalar. O grande problema da internet é que você é julgado 24 horas por dia mas comigo tanto faz como tanto fez. Eu simplesmente bloqueio esse clube.


Cheguei numa fase da idade que eu não faço planos para o futuro. O que vier eu encaro. Se for bom, ok. Se não for bom eu deleto.


Nunca imaginei ser uma pessoa que vive sem fronteiras. Achava que eu nunca ia sair do Brasil. Mas depois que eu fui, percebi que eu realmente tinha que viver fora. Eu tinha que proporcionar alguma coisa diferente do que eu vivi para os meus filhos. Eu acho que a cultura no exterior faz com que eles amadureçam muito rápido. A minha filha de 9 anos arruma o quarto dela todo dia, quando ela termina de comer ela põe o prato na pia, ela só fala "por favor" e "obrigada". Isso é da cultura francesa. Ela chega nos lugares e sabe como se comportar. Então é assim, eu não poderia ter dado futuro melhor para eles. Fora que falam várias línguas, e isso é muito valioso. Eles são do mundo.

Eu fiquei sabendo da TransferWise do meu filho que mora em Portugal. Ele disse “Mãe, você é a rainha da internet mas não sabe nada!”. Eu estava chateada porque não estava conseguindo fazer transferência pro exterior com um câmbio legal, mas a TransferWise me salvou. Agora eu estou livre de problemas e dificuldades quando preciso enviar meus reais para a Europa de maneira segura. Eu já tenho todos os dados salvos no meu aplicativo, e sempre que preciso eu envio dinheiro que chega rapidinho, seja na minha conta na Europa ou na conta dos meus filhos ao redor do mundo.

Hoje o meu público é um público muito jovem, o que pra mim é excelente porque eu nunca fui velha. Isso me deixa sempre renovada e faz com que eu tenha um bom relacionamento com os meus filhos que tem várias idades - a mais nova tem 9 anos.

Cada filho tem uma visão diferente sobre a internet na minha vida: a pequenininha adora e a de 16 morre de vergonha, porque ela é extremamente francesa. Quando eu conto pra algum amigo dela, "ah, sabia que eu sou cantora?", ela fala "mãããe, não precisa falar". O de 21 é cantor e DJ, e ele adora a carreira da mãe. Todos tiveram que se adaptar, não teve jeito.

Ter filho em fuso horário diferente é não dormir! Porque começa à 1 hora da manhã com a que tá na Indonésia dizendo "Bom dia". Os meus filhos são exatamente o oposto de mim, mas todos vivem sem fronteiras. Tammy está envolvido na política, o Décio trabalha em Nova Iorque no mercado de investimento financeiro. O Sérgio faz faculdade de economia em Portugal, o Gabriel é DJ-cantor. A minha filha de 30, que morava na Indonésia, é modelo. Então é assim, cada um tem a sua vida, e eu a minha.

Não me arrependo de nada que fiz na vida. Sempre fui eu mesma e por isso eu nunca me decepcionei.

Gretchen, rainha brasileira vivendo no exterior, sem fronteiras e orgulhosamente cliente TransferWise. Crie a sua conta ou baixe o nosso app Android ou iOS app para se juntar a mais de 6 milhões de clientes que já economizam quando enviam dinheiro para o exterior.

Por Milena Spremberg, exclusivamente para TransferWise. Fotografia de Stephanie Stoddard Cortés.

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